terça-feira, 27 de maio de 2008

Mostra 40 anos de maio de 68

26/05
10h - Os Sonhadores,
DIRETOR BernardoBertolucci
19h - Terra em Transe,
DIRETOR Glauber Rocha
27/05
12h - A sociedade doespetáculo,
DIRETOR Guy Debord
18h - A insustentável leveza do ser,
DIRETORPhilip Kaufman
28/05
12h - Teorema,
DIRETOR Pier PaoloPasolini
19h - Sympathy for the devil,
DIRETOR Jean-Luc Godard
29/05
12h - O Bandido da luz vermelha,
DIRETOR RogérioSganzerla
19h - Oliver,
DIRETOR Carol Reed
30/05
12h - Partner,
DIRETOR BernardoBertolucci
19h - Partner,
DIRETOR BernardoBertolucci
Algumas sessões serão seguidas de debate

terça-feira, 13 de maio de 2008

Bens de arquivo

Como já escancarado por aqui há um amor por aquivar. A noção de arquivo faz parte das mais variadas pesquisas que venho realizando. Não me recordo ao certo se em 85 ou 86 ganhei meu primeiro VHS. Era um modelo daqueles pesadões e me acompanhou durante parte da minha descoberta enquanto homem. Com aquele vídeo, e por que não dizer naquele vídeo, entrei em contato com o arquivo audiovisual responsável por parte de minhas reflexões, prazeres e angústias de outrora e da última hora. Ainda na mesma época a paixão pela música começava a surgir, também de forma arquivística. E também com a fita magnética dando o tom. Parte daqueles arquivos em k7 me levou aos livros. Aí a paixão arquivística caminhou. Sempre atenta aos excessos. Eram muitos livros na estante, muitas fitas na prateleira do Vídeoclube do Brasil em uma antiga casa que arquivou memórias e amigos que sumiram. Arquivar é filtrar. É permitir que o filtro seja também arquivo.

Os arquivos dispensavam muito método. Nem com meus próprios vídeos - que hoje em dia com os dvd's devem beirar os 2000 títulos - conseguia classificá-los. Eles me classificaram. Me classificavam e classificam até hoje. Sem perceber novamente me tomaram e pediram: Estude-nos. Pareciam dizer os arquivos. "O que sou eu do lado de cá", perguntavam as pinturas de Klee ... O que guardam em mim, o que guardam de mim? Perguntam os arquivos a memória.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mal de arquivo



Foi naquela tarde num dia sem muita paz
A mente vagava e sorria pedindo mais
Pra não lembrar nada, além do sol e do mar.
Coisas que na memória a gente tende a guardar

Arquivar o que te faz sonhar
Registrar, pra não mais lembrar

Foi tarde da noite, num dia sem muito som
As horas passavam em busca de frases no tom
Livros sobre a mesa, fotos, quadros sem cor
Coisas que a música tende a compor

Arquivar o que te faz sonhar
Registrar, pra não mais lembrar


Ah! Foi de manhãzinha, lembramos então.
Um poema dizia “A memória é uma ilha de edição”
Ninguém duvidava soava tão bem
Aí alguém lembrou que esquecer faz tão bem

Arquivar o que te faz sonhar
Registrar, pra não mais lembrar

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Nietzsche em 2 tempos: Por Münch e por Dioniso


"O nosso conhecimento exterior da arte é, no fundo, absolutamente ilusório, porque ao possuirmos tal conhecimento, não nos sentimos unidos e identificados com esse princípio essencial que, criados único e espectador único desta comédia da arte reserva para si o prazer eterno. Só no ato da produção artística,e na medida em que se identifica com o artista primordial do mundo, é que o gênio poderá saber algo da essência eterna da arte: porque só então,como por milagre, se tornará semelhante à perturbadora figura lendária que tinha faculdade de voltar os olhos para se contemplar a si própria; o gênio será então objeto e sujeito ao mesmo tempo, será simultaneamente poeta, ator e espectador "

quinta-feira, 1 de maio de 2008

11:11


São 11 e 11 e tudo mudou
acordes não surgem com tanta facilidade
Escrevem por mim na terceira pessoa
Pedem que corra... Zelam por não ter moral

Além do bem, além do sal
Leio a cartilha do irracional
Pois de razão já estamos legal
E de tanta rima passei tão mal... Fui de mau a melhor

Lambe o bigode. Esquizo tu tá
Cheira teu corpo que os órgãos se foram
Morde o sinal fechado em tua casa
Anda de lado ...se move que para. Sempre concordei que pensar é andar. Andamento

Só não diga que certo tu és
Nem com quem andas nem de onde vens
Não jogue ainda seus dados, seus dardos não ferem
Nem olhe bem nos olhos de ninguém

São 11 e 11 e nada mudou
o curso do rio tem outra dificuldade
Oram por mim e por outra pessoa
Torcem que morra... Trazem seu enfermo portal

Aquém do zen, aquém do tao
Aqui e sempre tudo é passional
Pois sem razão festejo o banal
E de tanta festa perdi o sinal.... Fui da cama ao Laos.

Atira no pé;. Esquizo ta tu
Chuta o santo que os deuses se foram
Avança o sinal aberto na tua rua
Rouba o mendigo... Esfrega ( a lama e o caos) na cara


Só não diga que certo tu foi
Nem com quem andas nem de onde veio
Jogue agora seus dados, seus dardos me ferem
Olhe bem nos olhos desse alguém que te faz rir

domingo, 27 de abril de 2008

Cinema dos sonhos: A propósito do longa " Cidade dos Sonhos", de David Lynch


"No hay Banda!"

Cena 1- Cidade dos sonhos é um filme que definitivamente deve fazer a crítica cinematográfica se perguntar sobre a sua função. Se o cinema, como aponta Gilles Deleuze em seu ‘Conversações’, “não tem necessidade alguma da crítica para encher as salas nem para preencher sua função social”, Cidade dos sonhos pode atestar essa consideração. Ou mais, pode lançar um verdadeiro desafio a quem deseja refletir criticamente sobre o filme. Como interpretar o sonho da cidade construída por Lynch? Para se ler, para se interpretar uma cidade precisamos da invisibilidade. Calvino mapeou as cidades invisíveis. Lynch filmou-as. O nome do filme original “Mulholland drive” não remete a cidade, mas a estrada. O nome do filme em português é metáfora pura.
O filme que nasceu de um projeto inacabado acaba por fazer qualquer crítico ou curioso por cinema se perguntar sobre o seu sentido. Acaba por acabar com a crítica institucionalizada que invadiu o cinema. Uma metanarrativa sobre o cinema. O paroxismo da abstração. O choro da morte da atriz no clube Silêncio. Uma radiografia da indústria cultural. Uma ode a fenomenologia da percepção. Afirmações que, em vão, tentam dar razão ao universo onírico de Lynch. Razão? "Me chama razões..."

Plano 2- Histórias. Entender o filme da forma que quiser, recomenda a atriz Naomi Watts. De acordo com as histórias que se envolver. Sentir a história pode ser a constatação do movimento que nos propõe Lynch. Ao relacionar o cinema com a “epifania do sensível”, André Bazin evidencia a arte que desvela o lado profundo e oculto do mundo. Cidade dos sonhos parece comprovar esse despertar para uma arte que fala de fato a interpretação livre da emoção. e que o cinema de Lynch vem de longe tentando indicar.

Contra-plongé -Imagens. Escrever sobre as imagens desse filme é um desafio, tal como compreendê-lo. Além de planos belíssimos gostaria de destacar as imagens tremidas e borradas para evidenciar os sentimentos, e mais, para mostrar a confusão dos personagens no mundo dos sonhos, na cidade chamada cinema. O diretor logo na abertura do filme abusa do poder da imagem. A dança que dá início ao longa não mostra só talento do também coreógrafo Lynch, mas brinca com a imagem e suas nuances de tal forma que aponta caminhos para a compreensão do sonho que o diretor nos convida a experimentar. Compreender o cinema, através das imagens de Lynch é tentar compreender os desafios do imaginário nos dias de hoje.

Luz, câmera, ação -Sons. No hay banda, mas há um Roy Orbison, sempre. O Clube do silêncio é um clube de lágrimas. I will be crying... Se em "Veludo azul", Lynch já demonstrava sua reverência a um dos maiores da música pop, em “Cidade dos sonhos” isso é defintivo.

no hay espectador- O cinema dos sonhos que o filme nos apresenta simboliza a urgência de uma arte voltada com a liberdade do autor, aponta para um novo diálogo que o fazer cinematográfico precisa estar imbuído. Quebra-se mais uma vez a linearidade. Parte-se o veio aristotélico que consagrou as narrativas, mas que aos poucos foi redefinindo-se. Aristóteles classifica. Vive-se o estado da “metafísica de artista” que Nietzsche pensou. Lynch experimenta.
"Cidade dos sonhos" parece funcionar como uma passagem, como um entre cinema que busca na relação autor/público uma nova forma de dialogar com a verdadeira função da arte: precipitar os sonhos. Esquecer a crítica. Essa, sobretudo. Silêncio