quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

New beginning


"Time and sound, memory and matter - for me, it's all a mix. I look at film as the central myth processing site for the 20th century's subconscious, and if there's anything dj'ing brings home it's how much our memories and lives have been inundated with media culture from the very beginnings of consciousness. We're probably the first generation to grown up with electronic media at every angle. Satellites, cell phones, t.v. telephones, fiber optic cables etc etc You name it, we remember it. Call it the archeaology of the viral virtual or whatever. Film was just the beginning. The nextsituation - vj's & dj's net mixes etc etc... check the situation.... - we're just getting started"
The rebirth of a nation photo
Dj spooky

Pra dar sequencia as imagens estáticas das imagens em movimento dos vj's, lembrando o post http://pontesobreoabismo.blogspot.com/2009/08/blog-post.html

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Odeia a mídia? Seja a mídia


Vendo um vídeo dos Dead Kennedys e lembrando da famosa frase do Jello Biafra ( "Não odeie a mídia, seja a mídia") - esse aí na tela em meio ao público ( um dos significados que McLuhan brilhantemente também lembrou)- penso - não consigo parar de pensar - na necessidade que temos de pensar a todo o tempo o corpo, de botar o corpo pra pensar, de corpar o corpo, incorporar, encorporar nossa era de corporações... mas também de corpos-sensações que estão:

No Som - O punk, o funk, mas também o metal - ontem passei o dia ouvindo Slayer - o samba não do carnaval da Tv, mas do meio do bloco ou do meio da bateria.
NA Imagem - O cinema visceral de Cronenberg, Romero ( lembrei tanto ouvindo o Tom Araya berrar ontem), mas também da mídia psicologizada do Hideo Nakata; o vídeo de letícia Parente e Bill Viola, do genial Chris Cunningham... mas também a imagem da guerra, da dor para abrir nossos olhos e botar nosso corpo em luta no Camboja, no Haiti, no nosso Haiti!
Na Palavra, em qualquer palavra oral, escrita, desconstruída, grunhida!
Na Rede e seus filósofos de plantão, longe de Platão e de qualquer idealismo...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sutil Rohmer se foi...


Não queria que o primeiro post do ano fosse triste. E não será mesmo com o caos que impera no início desse ano nas encostas do Rio, mesmo com esse calor desanimador e mesmo com a morte do Eric Rohmer. Não será triste justamente por esse último fato. A morte é vida, é morte e vida, Claire. Entre tantos bons filmes mais antigos como "A colecionadora" e os outros cinco contos morais e o recente "A inglesa e o duque", a edição do Cahiers du Cinéma e um ativismo invejável, Rohmer era um dos poucos contadores de histórias verborrágicas que gosto no cinema. Seus filmes beiravam a exaustão de um texto tão inteligente que deixava as imagens sutis de Rohmer ainda mais lindas. Vi ontem de novo "A árvore, o prefeito e a mediateca" (1992), sem avatares, só crianças, gente de carne e osso e texto. Terminei o filme rindo e chorando, ciente de que a obra faz-lhe viver. Em tempos de eleição no Brasil ver esse filme para entender o que é direita e esquerda hoje em dia e o papel da cultura e dos ecologistas é indispensável. Fique bem Rohmer...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010




O filme é bem fraco. Mas o cartaz é lindo! Feliz 2010. O ano em que faremos contato.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A questão de "Avatar" ( o arrazoamento heideggeriano)




"Mas somente se nos voltarmos pensando para o já pensado, seremos convocados para o que ainda está para ser pensado" ( Martin Heidegger)

"Avatar is way behind the times, both thematically and technologically" .
" It's better than Transformers, and no worse than Ben Hur".(Steven Shaviro)

"Avatar", o filme do momento até primeiro de janeiro, creio, é certamente um bom filme devido a toda tecnologia do qual se constitui e faz-se constituir. Um filósofo e três filmes passaram pela minha cabeça assistindo-o. O primeiro dos filmes e que assisti esse ano foi o "Distrito 9", certamente mais relevante que "Avatar" por tratar do detrito ecológico da própria cibercultura ( O videolog tá lá, os "robôs-tela" também). O segundo foi "Caravana da Coragem", aquele mesmo dos Ewoks que já sacavam Ewya nos 80. E, evidentemente, 10 anos antes, "Matrix". Não vou falar muito o porque esses foram os filmes que vi dentro do filme: semelhanças por afinidade no discurso (ciber)-eco-lógico, semelhanças pela virtualização que passa o cinema de ficção científica dos 2000, semelhanças pelas criaturas da floresta.

Pretendo me ater nessa breve crítica sem muita profundidade ao filósofo que me veio o tempo todo a mente vendo "Avatar" de James Cameron. Talvez por gostar muito de florestas... Heidegger, que volto toda hora a ler e cada vez mais me em-baralho ( no fundo essa parece ser a missão do filósofo da floresta negra) com sua gestell ( traduzido por vezes como arrazoamento, mas que quer dizer em alemão armação, estante) lê a questão da técnica através da relação entre o dispositivo ( não traduzido assim pelo alemão) e o argumento racional do mundo. A expressão acontecimento-apropriação, a "tomada da linguagem natural" (Heidegger, Que é isto - a filosofia/ Identidade e diferença, Vozes, 2006, p.48) que cerca o dasein, o ser aí - supostamente, o sujeito na concepção de Heidegger - é o mote do filme a meu ver.
Comparações desse, confesso, necessário e bom filme, com o rizoma e o devir ( Deleuze, Guattari) e com a biopolítica ( Foucault) já despontam em alguns comentários que venho acompanhando pelo Twitter - sobretudo os da Ivana Bentes (@ivanabentes ) - mas no final acredito que o filme é profundamente heideggeriano. (Aliás as citações ao Steven Shaviro (@shaviro) do início dessas linhas também são do Twitter).
As raízes da metafísica, a linguagem como morada do ser, a ontoteologia (base de toda a metafísica) e a não-libertação da técnica dão sentido a esse Avatar, aos inúmeros Avatares. Nunca fui grande fã de Heidegger durante as aulas de filosofia ( de fenomenologia, especificamente), o autor sempre aparecia como um vilão pela associação ao nazismo, pela leitura equivocada de alguns autores. Mas depois que reconhecemos a importância para a filosofia do século XX, quando começamos a achar que estamos entendendo Heidegger, v-i-s-lumbramos outras possibilidades. "Ler" Avatar desse jeito nos faz crer que ele é um filme importante. Não sei se esse espetáculo todo visual e sonoro ( o som me impressionou tanto quanto as imagens) compensa as falhas em meio as folhas, e, mais ainda, se esse tom heideggeriano que percebi possa começar a justificar certos discursos ecológicos de muitos que ainda jogam papel pelas janelas dos carros. Heidegger meio que nos fez ver que continuamos entre o já pensado e o ainda a pensar, meio entre Avatar (ou Matrix) e o tal Distrito 9. Entre arquivos e árvores...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009