segunda-feira, 21 de março de 2011


"Eu expulsaria do meu Estado ideal os chamados "homens cultos", como Platão expulsou os poetas: esse é o meu terrorismo" F. Nietzsche

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Eu, outro que observa


Sou um observador de mim mesmo, não porque escuto meus silêncios
Mas porque escuto você
És um observador dos teus silêncios?
Sou um escritor dos meus gritos, não porque escuto meus gritos
Nem porque escuto teus silêncios, mas porque me vejo em você
“J’est un autre”
És um observador dos teus outros?
Sou um observador das cadeiras e das mesas, da paisagem e da ambiência
Mas porque escuto você?
Sois um observador de mim!
Mil olhos têm os observadores hoje em dia
Mil quartos têm nossa janela
Mil almas temos eu e o outro
Com mil sentimentos faço- te um outro.
"L'Enfer, c'est les autres"
És um observador dos teus infernos?
Sou um observador do mesmo dos outros.
És um observador dos teus outros?
És um observador dos teus mesmos?

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Foi-se 2010

De fato nesse momento ainda está indo... Tantas coisas que fiquei sem escrever por aqui. Não gosto dessas listas dos melhores. Mas vi e fiz bons shows, bons filmes, li bons livros ( na maior parte textos do doutorado). Mas vimos e lemos um mundo um pouco pior com uma tv pior e uma web em eterna promessa. Diante dos fatos, os meios seguem... Se um dos primeiros posts desse ano ou um dos últimos de 2009 era o cartaz de 2010, o ano em que faríamos contato, 2011 será o ano de conexões... com vida nova.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um cheiro


Cimento, espiga de milho, remedio da homeopatia,
O mar inteiro é um cheiro. Tem o do casaco da tia.
As flores, os peidos... odores, Ah, e de qualquer padaria!" (Madeleines de todo dia)
E como se não bastasse o cheiro que eu não sentia...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Veritas...

O que é, portanto, a verdade? Uma multidão móvel de metáforas, de metonímias, de antropomorfismos, em resumo, uma soma de relações humanas que foram poeticamente e retoricamente alçadas, transpostas, ornadas, e que, depois de um longo uso, parecem a um povo firmes, canônicas e constrangedoras: as verdades são ilusões que nós esquecemos que o são, metáforas que foram usadas e que perderam sua força sensível, peças de moedas que perderam seu cunho e que são consideradas a partir de então não já como peças de moeda mas como metal” (Nietzsche, Sobre verdade e mentira..._

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Coleção de areia


Lendo o belíssimo Coleção de areia, do Italo Calvino.

Os textos sobre coleção, mapas e museus são um primor. Do próprio Coleção de areia:
"Mas onde a obsessão colecionista se dobra sobre si mesma
revelando o próprio fundo de egotismo é num mostruário repleto
de pastas simples de papelão amarradas por fi tas, em que,
sobre cada uma delas, uma mão feminina escreveu títulos como:
“Os homens que me agradam”; “Os homens que não me agradam”;
“As mulheres que admiro”; “Meus ciúmes”; “Meus gastos
diários”; “Minha moda”; “Meus desenhos infantis”; “Meus castelos”;
e até “Os papéis que envolviam as laranjas que comi”." (p.14, da edição da Cia das letras)