quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Depois de algum tempo ausente




















Burroughs é Caetano

Quem sair por último escancare a porta,
quem quebrou o muro com sua boca torta
Não deixou herói. Não deixou história
Sua luta inglória foi pra não dizer

Que tinham comprovado que é tudo narrativa
e que não te deixaram uma só saída ( há uma só saída?)

Era tropicália, era dadaísmo
Tinha Caetano na boca do lixo
Ode a bossa nova e ao antidepressivo
Viva a repressão e o teu terrorismo

Pois já de ressaca, o mar é bem melhor
ainda bem que o samba é de uma nota só

O velho rock n roll já se caducou
é tudo pop song dentro de um freak show
mas tudo é tão bonito, tudo é sempre cool
pra quem se sente tolo quando se almoça nu

terça-feira, 7 de outubro de 2008

c'EST LA VIE


C’est la vie
Se ela não viu
Se ela não ouviu
“Uma canção bonita falando da vida em ré maior”

C’est la vie
Se ela não viu
Se ela não sorriu
Do “penso logo existo”, da besteira maior

C’est l avie ih

Que a vida é um bquadro sustenido em tom menor

C’est la vie
Que a vida é vã filosofia e viver é bem melhor

O mundo é um mapa de outro mundo
O mapa é o mundo

A vida é a história de outra vida
A vida é um mundo


Diante de um abismo tão profundo

Eterno segundo
Em frente seguir só livre pra sempre


Pra arder a mente

A árvore é já semente


C’est l avie

Que a vida é um bquadro sustenido em tom menor


C’est la vie
Que a vida é vã filosofia e viver é bem melhor
C’est la vie
Se ela não viu
Se ela não ouviu
“Uma canção bonita falando da vida em ré maior”


C’est la vie
Se ela não viu
Se ela não sorriu
Do “penso logo existo”, da besteira maior
letra: Wilson e Márcia

sábado, 20 de setembro de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008

Dois atos...


Dois atos sempre me interessaram mais. O ato sexual e o ato cinematográfico. Os dois, pois direta ou indiretamente me colocam como agente do ato, me colocam lançado sobre uma situação, um movimento que motiva, multiplica, metamorfoseia. O primeiro que abre as portas das percepções mais recônditas. O segundo, pois produz minhas realidades. Qual bom sexo não coloca você em contato próximo com o que há de mais próximo do Eu? Qual bom filme não se conecta e algum momento com sua vida? E quando penso aqui no ato cinematográfico me refiro ao ato que resume o discurso artístico. Quando penso no sexo, falo do sexo. Sim, se trata ainda do discurso. No fundo são o discurso amoroso e o discurso do audiovisual que me encantam.
Hoje (algum tempo atrás) pareci encontrar no discurso religioso um ato que me interessou. O eterno retorno do discurso religioso, da vigília sobre si próprio. Não o fato de a missa ser para mim como desejava meu pai, meu bom pai. Não o fato de ter participado da homilia lendo a carta aos hebreus no seu momento mais de-cisivo. A escolha de Abraão que eu tinha lido através do Kierkegaard e não através da bíblia. Leituras... Mas algo que fazia atuar e algo que em mim através do discurso me encantava. Talvez pelo padre ser extremamente sedutor, talvez por estar conectado aos meus estudos - era uma missa em ação de graças devido ao término do mestrado. Ao menos meu pai gostaria que assim o fosse. McLuhan era profundamente religioso, A igreja, certamente não, a prece, sim para ele devia ser o meio.
Não adianta, igreja é o local das culpas. Ali a culpa dos meus atos aparecia. Ali a culpa de pensar no filme de anteontem e no sexo com ela que ficara deitada em minha casa se tornava culpa. Culpa de só me interessar de fato por isso. Por dois atos. Em dois atos a peça da minha vida se dá. Pois o que não é sexo é cinema e às vezes até o sexo é cinema e o cinema é sexo. Ela me leva sempre para outro lugar. Sorrio.
A melhor motivação disso tudo, além de estar escrevendo novamente por mim e não pelos outros, é a idéia de descobrir mais sobre um terceiro ato. Que sempre soou como o grande discurso... E como temos medo dos grandes discursos nos apequenamos no ateísmo pequeno burguês ou no fervor de falar em nome das religiões...
Palavra da salvação. Quando salvação já é uma palavra... Vontade de rever o Evangelho do Pasolini...E o Dias de Nietzsche em Turim.... Vontade de dar um curso sobre cinema e religião... Vontade de invadir aquele quarto onde ela inda dorme e tirar o pecado do mundo...


Saudades do Pai. Mestre foi você que na simplicidade, no bom coração, na devoção não se ligava nos discursos. Agradecimentos muitos, ainda algumas culpas, dores, aflições... Angústia como a de Abraão.
Vejam Kinsey, aliás o filme de ontem ( ou de uns anos atrás)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Um dia sem você ( Ao Daniel )




Um poeta sem poema
Um cozinheiro sem tempero
Um criador sem idéias
Um músico sem instrumento

Um balão sem ar
Um dia sem sol
Um chopp sem colar
Um filme besteirol

Um sentir sem tocar
Um despertar sem olhar
Essa banda sem rock
Um tiro sem morte
Um dia sem amar


Um violão sem corda
Um carro sem pneu
Uma sopa sem colher
Um rugido sem som

Um ano sem dezembro
Um banho sem chuveiro
Uma planta sem semente
Uma fada sem duende

Um aperto sem mão
Uma queda sem chão
Um anel sem dedo
Um sangue sem vermelho

Um beijo sem boca
Um jantar sem louça
Um quebrar sem consertar
Um grito sem berrar




Um café sem cigarro
Um namoro sem sarro
Um lixo sem saco
Um espaço sem vácuo

Um gole sem cachaça
Uma piada sem graça
Um livro sem final
Uma roupa sem varal

Um Garrincha sem mané
Uma arca sem noé
Uma criança sem pirraça
Um truco sem trapaça

Um natal sem noel
Um horizonte sem ceú
Um embrulho sem papel
(Uma) Pelada sem Daniel


Um receber sem dar
Um amor sem cuidar
Uma paixão sem amar
Um doce sem engordar

Uma doença sem dor
Um Arlequim sem Pierôt
Um Godard sem Truffaut
Uma pastilha sem sabor

Um recreio sem bola
Uma memória sem escola
Uma direita sem esquerda
Uma esquerda sem direita



letra: Mau / Wilson / Cacau / Graci